Microfissuras Emocionais: O Que Você Está Ignorando

By Alexandre Novaes
Microfissuras Emocionais: O Que Você Está Ignorando

Colapsos não começam grandes. Começam pequenos e repetidos.

Nenhuma estrutura falha de repente.

O que chamamos de “de repente” é apenas o momento em que ficou impossível ignorar.

Antes do rompimento, existe acúmulo.
Antes da explosão, existe compressão.
Antes do término, existe desgaste silencioso.

Microfissuras emocionais não fazem barulho.

Elas aparecem como pequenas concessões repetidas.
Como desconfortos ignorados.
Como frases engolidas.
Como limites ultrapassados por conveniência.

Não doem o suficiente para parar.
Mas doem o suficiente para desgastar.

E o desgaste contínuo é mais perigoso do que um impacto único.

Existe uma diferença importante entre conflito e erosão.

Conflito é evento.
Erosão é processo.

A maioria das rupturas não nasce de um grande erro.
Nasce da soma de pequenas negligências internas.

Você se adapta.
Você releva.
Você racionaliza.
Você minimiza.

E, sem perceber, começa a operar fora da sua capacidade ideal.

Nenhuma estrutura é projetada para funcionar permanentemente sob tensão máxima.

Mas muita gente vive assim.

Trabalhando acima do limite.
Relacionando-se acima do limite.
Tolerando acima do limite.

Até que um dia, algo pequeno desencadeia algo grande.

Não foi o último evento que quebrou você.
Foi o histórico acumulado.

Engenharia emocional começa pela leitura das microfissuras.

Perguntas simples revelam muito:

— O que eu tenho aceitado repetidamente?
— Onde estou cedendo além do razoável?
— O que eu sinto e estou chamando de “normal”?

Ignorar sinais não torna você forte.
Torna você vulnerável.

Resistência verdadeira não é suportar tudo.

É ajustar antes de trincar.

Porque quem aprende a identificar microfissuras,
raramente enfrenta colapsos.