Os afastamentos do trabalho por instabilidade psicológica e emocional deixaram de ser exceção. Viraram um sinal recorrente de que algo na forma como estamos vivendo — e trabalhando — está fora de prumo. Não é “fraqueza”, não é “frescura”, e não deveria ser tratado como um detalhe burocrático do RH. É um alerta estrutural: quando a mente começa a ceder, todo o resto perde capacidade de suporte.
O que chama atenção é que, em muitos casos, não existe um “grande evento” que explica tudo. Não foi uma tragédia, nem um único trauma, nem um dia específico que derrubou alguém. Foi o acúmulo. Uma soma de semanas (e anos) de sobrecarga de metas, sensação constante de que está atrasado, cobrança por performance como identidade, e uma vida que não desliga nunca. A cabeça não tem mais turno. O corpo até vai embora do escritório, mas a mente fica presa em notificações, comparações, demandas e ruídos.
E aí entra um ponto que quase ninguém quer encarar com honestidade: a nossa atenção foi sequestrada. O intervalo que antes poderia ser uma caminhada, um banho sem pressa, um café olhando a rua, um bom papo, virou rolagem infinita. As redes sociais ocupam justamente os espaços que deveriam servir para recompor o sistema: os momentos de descanso, de silêncio, de presença. Não é “só entretenimento”; é uma drenagem diária de foco e de energia emocional. Você não percebe na hora, mas percebe depois — quando a mente já não sustenta.
Resultado: cresce a ansiedade, cresce a irritabilidade, cresce a insônia. E o mais perigoso é que, por fora, a pessoa ainda parece “funcional”. Continua entregando, continua respondendo, continua indo. Até que um dia não dá. E quando não dá, o afastamento aparece como a consequência final de um processo que vinha sendo alimentado, discretamente, há muito tempo.
Aqui eu quero ser direto: menos clínica, menos álcool, menos pílulas como primeira resposta. Não como crítica a tratamento — há casos em que ajuda médica é necessária e salva — mas como crítica à lógica de terceirizar o comando da própria mente sem antes tentar recuperar o básico: controle de atenção, higiene mental, treino emocional e disciplina de pensamento. Porque, na maioria das rotinas, o que falta não é “mais informação sobre saúde mental”. Informação nós já temos até demais. O que falta é prática.
A mente é uma obra em andamento. E o engenheiro dessa obra somos nós. Não o chefe, não o algoritmo, não a última notícia, não a próxima meta. Nós.
Isso começa simples, mas não é fácil:
Porque, se você não governa a mente, alguém governa por você — a agenda, o feed, a cobrança, a comparação, o medo de não dar conta.
O tom de alerta é esse: estamos perto demais de um abismo de dispersão, exaustão e instabilidade, e muita gente só percebe quando já está caindo. Mas a boa notícia é que existe saída quando você troca “reação” por “construção”: pequenas práticas diárias, repetidas, devolvem o controle. Não em um dia. Não com romantização. Mas com consistência.
Se a vida ficou ruidosa demais, talvez o próximo passo não seja “aguentar mais”. Talvez seja retomar o comando — do foco, das escolhas e do próprio estado emocional. Isso, sim, pode tirar muita gente desse abismo.
Para fechar, vale uma sugestão direta: se você percebe que está perdendo foco, dormindo mal, reagindo demais e vivendo no “automático”, um bom livro/ebook “CONSCIÊNCIA APLICADA. ENGENHARIA EMOCIONAL” (https://engemocional.sobreatencao.com.br) que no fundo é um APP, com ebook, podcasts e ainda um protocolo de exercícios, um planner, que pode funcionar como um mapa de treino, não como teoria — algo para te devolver método e repetição. Procure um material prático e estruturado, com exercícios curtos (5–15 minutos), que trate de atenção, disciplina de pensamento, regulação emocional e hábitos; leia com lápis na mão, aplique por 21–30 dias e observe o que muda. O ponto não é “virar outra pessoa”, é voltar a ser o engenheiro da própria mente: menos ruído, menos reatividade, mais direção.